CALL FOR PAPERS


Preparação do dossier do número de dezembro de 2018

“Digitalização e evolução do trabalho real”

Data limite de envio de propostas de artigos: 6 de maio de 2018

Responsáveis pelo dossier:

Carole Baudin (University of Applied Sciences and Arts of Western Switzerland)

Patricio Nusshold (Université Paris Descartes, CNAM).

Os artigos serão publicados numa das línguas da revista (português e espanhol). No entanto, os resumos das propostas, bem como os textos enviados para avaliação, podem ser redigidos em francês ou em inglês. Os autores serão responsáveis pela tradução para português ou espanhol, de acordo com o resultado da avaliação e as sugestões propostas pela Direção da Laboreal.

Calendário:
6 de maio de 2018: Data limite de envio das propostas com um título, um resumo com o máximo de 500 palavras e 5 referências bibliográficas.
Até 15 junho de 2018: Informação aos autores dos resultados da avaliação dos resumos.
15 de julho de 2018: Data limite de envio dos artigos completos, que terão a extensão máxima de 75 000 caracteres, incluindo espaços e referências.
Até 4 de setembro de 2018: Informação aos autores dos resultados da avaliação do seu artigo.
Até 2 de outubro de 2018: Data limite de envio da versão final do artigo.

As propostas de artigos deverão ser enviadas para o secretariado da revista, através do endereço eletrónico seguinte: laboreal@fpce.up.pt.

As propostas devem estar relacionadas com a problemática definida na página seguinte.

“Digitalização e evolução do trabalho real”

O fenómeno da digitalização é anunciado como a quarta revolução industrial em certos discursos políticos e económicos. Contudo, poucos estudos descrevem e analisam em profundidade as influências desta evolução na atividade dos trabalhadores.

Esta evolução tecnológica não se reduz à introdução das tecnologias da informação e da comunicação (TIC) na vida profissional e quotidiana, ela implica além disso a gestão de um grande fluxo de dados, imediato e difuso (macro dados), a integração da inteligência artificial (e mais ainda o Deep Learning), da robótica, da realidade aumentada e/ou da internet das coisas (Internet of Things IoT), tanto no mundo do trabalho como no mundo doméstico.

Numerosos estudos mostram as mudanças que estão a ocorrer no mundo laboral causadas pela evolução digital. Os economistas debatem sobre os efeitos que esta pode provocar sobre o emprego: alguns anunciam a extinção de postos de trabalho, considerando mesmo o fim do trabalho. Outros, pelo contrário, sustentam que estas tecnologias permitirão reduzir a dureza do trabalho, aumentar a produtividade, e criar emprego. A tendência na grande maioria dos países industriais é a substituição dos postos de trabalho repetitivos, quer sejam de tipo “manual” ou “cognitivo”, por sistemas automatizados, e a transformação profunda dos processos de produção através de novas técnicas (fabricação aditiva, processos de otimização dos controlos, interconexão das máquinas, block chain, etc.) que são acompanhados de um processo de aceleração do ritmo de trabalho. Os operadores veem assim o conteúdo das suas atividades drasticamente transformado.

Tomando como referencial a análise da atividade, procuraremos compreender o que significa a digitalização em termos de transformação de ritmos e de espaços de trabalho. Que impacto tem nas atividades profissionais e domésticas. Como transforma a formação do ponto de vista das novas competências formais e informais envolvidas na evolução dos conteúdos e das práticas profissionais. Como esta digitalização influencia nos métodos de avaliação quantitativa do trabalho e em outros métodos de gestão. Valorizaremos particularmente as estratégias desenvolvidas pelos trabalhadores e trabalhadoras para adaptar as suas atividades e para se apropriarem destes novos meios de trabalho. Em que medida, para além do constrangimento, a digitalização pode ser um recurso para reduzir o desvio entre o trabalho prescrito e o trabalho real. Trata-se portanto de compreender que condutas adotam as pessoas para continuar a realizar um “bom trabalho” (ou um “trabalho bem feito”) neste contexto digital das organizações “flexíveis”, e que novos saberes desenvolvem para poder continuar a agir neste mundo laboral em movimento.

Este dossier procura então reunir contribuições sobre diversas dimensões envolvidas nesta relação entre digitalização e trabalho, em particular através de temáticas relacionadas com:

  • A materialidade da digitalização: impactos na saúde, segurança e conteúdo do trabalho (datacenters, etc.).
  • A evolução e impacto da digitalização nas atividades profissionais e domésticas.
  • As estratégias desenvolvidas pelos/as trabalhadores/as face à digitalização do trabalho.
  • As mudanças nos conteúdos e nas relações de trabalho: limitações e potencialidades.
  • A digitalização e a avaliação do trabalho.
  • A digitalização e a desmaterialização da atividade.
  • A evolução da gestão decorrente das TICs e da digitalização.
  • A digitalização e o trabalho: porque é que o trabalho é e será sempre humano e vivo?

Call for Papers disponível em PDF aqui.