Dicionário

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Artigo incluído na revista Volume 14 :: No.1 :: Julho 2018

X, COMO RAIO X


A descoberta acidental do raio X em 1895 por W. C. Rontgën revolucionou o mundo da físico-química, mas também o campo da medicina e da indústria. Trata-se de um tipo de radiação de alta energia com capacidade de penetrar organismos vivos, atravessar tecidos de pouca densidade e ser absorvido pelas partes mais densas do corpo humano (como estruturas ósseas). Em razão dessa característica, a principal utilização dos raios X consiste em radiografias clássicas e scâneres para diagnóstico médico. Eles também são utilizados industrialmente com a finalidade de observação da estrutura interna de objetos e identificação de possíveis falhas. Nos sítios que necessitam uma vigilância importante (aeroportos, museus, etc.), os raios X são de uso cotidiano a fim de controlar o transporte de objetos perigosos e evitar acidentes. Enfim, eles são utilizados em laboratórios com objetivos de pesquisa científica.

Os raios X são radiações ionizantes (capazes de modificar a estrutura da ADN) e consequentemente apresentam efeitos nocivos para a saúde em caso de exposições longas ou repetidas e/ou de forte intensidade, podendo provocar a formação de células cancerígenas. As radiações recebidas ao longo da vida apresentam um efeito cumulativo, e os danos podem se manifestar de maneira imediata ou tardia de acordo com a intensidade da dose recebida. Após a descoberta dos raios X, quase 30 anos foram necessários para que os princípios de prevenção através da radioproteção aparecessem (CIPR, 2011).

Um longo processo de nível mundial esta por trás das normas e leis nacionais relativas à proteção dos trabalhadores, dos pacientes e da população em geral. Elas são fruto de pesquisas e negociações entre diferentes instâncias e são determinadas segundo os avanços da ciência e das demandas da sociedade [1]. Levando em consideração os efeitos nocivos sobre os trabalhadores expostos, os princípios de radioproteção dos trabalhadores são fundamentados em três critérios:

- Duração: a duração de exposição deve ser a mais breve possível;
- Distância: distanciamento máximo dos trabalhadores com relação a fonte de emissão de raio X, com possibilidade de manipular os aparelhos à distância;
- Barreiras físicas: interposição de barreiras espessas e absorventes entre a fonte de raio X e o trabalhador; uso de vestimentas de proteção. 

O médico do trabalho, baseando-se em uma análise do posto de trabalho, preenche uma ficha de exposição e classifica os trabalhadores de acordo com o risco corrido. Em função desta classificação, os trabalhadores podem beneficiar de medidas de proteção reforçadas: visitas de controle, dosimetria individual, formação obrigatória sobre os riscos das radiações ionizantes.

Apesar dos riscos, a característica ionizante dos raios X apresenta benefícios para o tratamento de pacientes com cancros. É assim que nasce a radioterapia no começo do século XX. Esta especialidade médica consiste na destruição de células tumorais através de uma dose pré-calculada de radiação e de um tempo determinado de exposição do órgão doente. A resposta dos tecidos às radiações depende de diversos fatores, tais como a sensibilidade do tumor à radiação, sua localização e oxigenação, assim como a qualidade e a quantidade da radiação e o tempo to