Dicionário

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Artigo incluído na revista Volume XI :: No.1 :: Julho 2015

LABORATÓRIO


LABORATÓRIO. "ONDE FAZER CIÊNCIA"?

Onde "fazer ciência” [1]? Uma tal questão pode parecer absurda! A primeira resposta que vem à mente de qualquer pessoa é bem esta: “num laboratório!”, lugar evidente de construção dos conhecimentos num domínio particular. O dicionário histórico da língua francesa (Rey, 1998, p.1955) referência obrigatória para este exercício de redefinição do vocabulário de Laboreal descreve o percurso da significação do termo a partir da sua criação relativamente tardia no século XVII em França (1620). Enquanto termo científico já ele é formado a partir do verbo latino laborare: dar-se ao trabalho, lavrar (forma de trabalho físico mais prevalente na época). Ela designa primeiramente o "local equipado para fazer experiências, investigações, preparações científicas" que requerem um equipamento particular, tal como é o caso dos farmacêuticos (1620) e dos químicos (1671). Um século mais tarde, o termo é aplicado também ao destilador e ao "local onde ele prepara os seus produtos" (1727), o que se assemelha à química. No final deste século, designar-se-á também por "laboratório" uma parte de um objeto técnico concreto, o forno de revérbero, “lugar onde se efetuam as trocas de calor, as reações químicas (1757)". Depois, o sentido passa a ser figurado e estende-se ao "lugar onde se faz investigações intelectuais, onde as estudamos" (1765). Atualmente, encontramos os dois sentidos para qualificar os lugares onde fazemos ciência, seja no domínio das ciências da matéria e da vida onde se pratica a experimentação, ou no domínio das ciências humanas e sociais, mesmo se não se pratica a experimentação. Em contrapartida, é de notar que o lugar onde se efetua trabalho manual não teve direito durante muito tempo a esta designação de "laboratório ".

Na linguagem científica corrente, em oposição ao conceito de “laboratório", lugar de investigações experimentais e de cientistas, situa-se “o terreno”, lugar de pesquisas empíricas e dos práticos da intervenção.

Porquê, então, a questão de "onde fazer ciência?” se coloca quando nos interessamos pelas ciências do trabalho? Onde é legítimo construir conhecimentos válidos sobre o ser humano no trabalho e, além disso, conhecimentos permitindo agir sobre o trabalho a fim de desenvolver a saúde e as competências dos trabalhadores e assegurar simultaneamente a qualidade do trabalho? No laboratório OU no terreno? No laboratório E no terreno? E como fazer ciência num e noutro caso? Para quem e com quem?

Tradicionalmente até ao final dos anos sessenta do século passado era claro para todos que os que faziam experiências em laboratório faziam ciência, atribuindo aos práticos papéis secundários, uma vez que se limitariam a fazer uma aplicação no terreno isto é, aos problemas colocados na empresa dos conhecimentos fundamentais produzidos em laboratório. Fora do laboratório, não há saudação nem reconhecimento por parte do meio universitário! Mas os jovens ergónomos e psicólogos do trabalho