Dicionário

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Artigo incluído na revista Volume IV :: No.1 :: Julho 2008

INSERÇÃO


O termo "Inserção" nasceu no contexto particular da crise económica que afectou a maior parte dos países da Europa no fim dos anos 70. Na prática, ele traduz a dificuldade de certas categorias da população de aceder ao emprego duradouro. Tratava-se sobretudo, no início, dos jovens sem diploma nem qualificação, e nomeadamente de alguns países da EU de origem estrangeira; mais tarde, dirá respeito aos desempregados de longa duração, os de mais de 50 anos, às mulheres e hoje a todos os beneficiários dos dispositivos de assistência. A noção de inserção é bastante vaga no plano conceptual. Se, por um lado, ela parece próxima do conceito sociológico de integração, por outro lado, evoca também a ideia de um lugar a atribuir a um elemento novo num conjunto que não está espontaneamente pronto a acolhê-lo. Como se esta integração não fosse mais evidente. É de resto sobretudo pela referência ao seu conceito contrário (o de exclusão) que a palavra tomou todo o seu sentido.

Desde o começo dos anos 80, a maior parte dos países europeus desenvolveu políticas orientadas em direcção a este públicos, ainda que a inserção dos jovens pareça mais problemática nos países latinos e a Polónia, que nos países nórdicos e a Alemanha. Na prática, distingue-se frequentemente a inserção dita social (centrada sobre o acesso aos direitos, à formação, à saúde, à habitação...) da inserção profissional propriamente dita. Embora esta distinção pareça, no mínimo, frágil no plano conceptual (como poderá uma inserção não ser, no mínimo, social em contextos fortemente estruturados em torno dos valores económicos e das identidades profissionais?), ela deixa entrever que em muitos casos as metodologias de inserção serão de facto novas formas do trabalho social, mobilizando profissionais da formação, da animação e da acção social clássica. E é bem a questão dos métodos – e das teorias mais ou menos implícitas que os sustentam – que interpela o psicólogo ou psicossociólogo do trabalho e das organizações. Correndo o risco de simplificar, pode-se considerar que estes métodos se repartem em duas grandes famílias:

1/ A primeira é essencialmente centrada sobre o sujeito, em torno de um modelo de acompanhamento, de ajuda, de seguimento. Geralmente, a noção de projecto ocupa um lugar central neste modelo, projecto em relação ao qual serão colocadas em prática acções de actualização de conhecimentos, de formação, associadas a um trabalho sobre as representações, a motivação, a mobilização ou ainda a auto-estima. Não raras vezes, estas acções são precedidas ou acompanhadas de um balanço de competências que é suposto permitir ao sujeito fazer o balanço de si próprio e da sua relação com o mundo profissional. Este modelo consiste, portanto, sobretudo num "trabalho sobre si" para se adaptar às expectativas do mundo económico, o qual é assumido como natural, fora do alcance da intervenção. De acordo com este ponto de vista, os problemas de inserção são primeiro problemas do sujeito, sobre quem recai finalmente todo o peso e a responsabilidade da intervenção, ao ponto de ele ser definido como não tendo os recursos suficientes para fazer face à situação.

2/ Um outro modelo consiste em conceber a