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Artigo incluído na revista Volume X :: No.2 :: Dezembro 2014

INFORMAÇÃO


A noção de informação engloba aceções e âmbitos muito diversificados. Nesta breve revisão da noção, vamos tentar definir com precisão o modo como foi abordada em Psicologia e, mais concretamente, na Psicologia do Trabalho e na Psicologia Ergonómica, e qual pode (ou pôde) ser o seu valor heurístico na análise do trabalho.

Em Psicologia, a noção de informação assemelha-se frequentemente à noção de conhecimento, a algo que nos comunica significado; já na teoria da informação, o termo "informação" refere-se tanto à mensagem transmitida como aos símbolos e sinais utilizados para codificar a mensagem.

Desde o início da Psicologia Científica tem havido interesse pelas questões relacionadas com a informação, frequentemente designada por "estímulo" ou simplesmente "sinal". Foram considerados principalmente dois aspetos desta noção:

- por um lado, em que medida é que o ser humano é capaz de processar um sinal em função da sua intensidade? Esta questão dará lugar aos primeiros estudos em Psicofísica e ao desenvolvimento de metodologias de medição e avaliação de limiares de deteção;

- por outro lado, em que medida o ser humano realiza com maior ou menor rapidez um tratamento (proporcionar uma resposta) em função da quantidade de informação transmitida? Esta questão conduzirá à elaboração de metodologias para estudar o tempo de reação a estímulos mais ou menos complexos (por exemplo, o método "subtrativo" de Donders, 1969) que serão retomadas a partir dos anos cinquenta e que marcarão o auge das metodologias designadas por "cronometria mental".

Assim, observamos no início da Psicologia Científica o aparecimento da preocupação explícita em levar em consideração a noção de informação (sobretudo no seu aspeto quantitativo), como uma variável explicativa da dificuldade ou facilidade para realizar certos tratamentos.

A partir dos anos quarenta, dois acontecimentos sucessivos e complementares em torno da noção de informação vão permitir levar a cabo numerosas investigações. Em primeiro lugar, a teoria da informação de Shannon, uma teoria matemática (probabilista), cujo interesse é possibilitar a quantificação da informação transmitida por uma fonte e ver (em função da natureza do canal através do qual circula), qual o processamento realizado pelo recetor. Mais tarde, nos anos cinquenta, surgem as teorias cognitivistas chamadas "de tratamento da informação simbólica" que consideram o indivíduo (tendo por referência o funcionamento da informática emergente) como um sistema de tratamento de dados. Rapidamente, tornou-se evidente para os psicólogos que podiam estabelecer um paralelismo entre estes dois sistemas concetuais: o sistema de informação de Shannon e o sistema humano de processamento da informação, como mostram os diagramas de Edwards. (1971, pp. 42 e 44).

Quando se comparam os dois modelos, é possível reconhecer imediatamente a sobreposição das suas componentes. A única diferença é a ausência de representação das fontes de ruído no modelo humano. A ausência desta componente revela-se problemática na análise do trabalho porque esta corresponde a todas essas variáveis explicativas individuais e contextuais que podem alterar a perceção do sinal por parte do recetor / operador. Contudo, a teoria da informação vai fornecer aos psicólogos do trabalho e aos ergonomistas a