Artigo incluído na revista Volume 14 :: No.2 :: Dezembro 2018

O Dicionário

Y: Geração "Y"

Antoine Duarte1
(1) Instituto de Psicodinámica
del Trabajo (IPDT)
7, rue Clovis 75005 Paris
France
Conservatoire National
des Arts et Métiers (CNAM)
41, rue Gay-Lussac 75005 París
antoine.duarte@ipdt.fr

A tradução deste texto para português foi realizada por Liliana Cunha e Camilo Valverde.

Se você nasceu entre 1979 e 1994, faz parte, segundo o  Boston Consulting Group (BCG), da geração "Y", também designada como "Geração Porquê?", como "millennials” ou “nativos digitais".

Como cresceu com a crise e as ferramentas informáticas, você é, de certo modo, um "organismo geracionalmente modificado" que, mais uma vez de acordo com o BCG, conhece um relacionamento diferente do dos seus pais face ao trabalho e à propriedade. A sua personalidade assume, assim, a forma de uma espécie de egoísmo pragmático, tornando-vos simultaneamente flexível e eficiente. Além disso, você é insubmisso à autoridade e deseja mais do que tudo prosperar e aproveitar a vida. Resumimos por vezes os seus traços de caráter usando a expressão "4 i" (Delaye, 2013). Ou seja, você é individualista, interconectado, impaciente e inventivo. No que concerne à sua atitude no trabalho, você tem "dificuldades em respeitar a sua hierarquia, procura um bom ambiente no trabalho, implementa uma estratégia notória de carreira; e você deseja ser independente" (Dalmas, 2016, p. 87).

Para terminar, profissionalmente, você é um "jovem diplomado do ensino superior, ultraconectado, que vive no coração de uma grande cidade, tendo feito parte dos seus estudos no estrangeiro, renitente à tradicional gestão hierarquizada das grandes empresas e alimentando aspirações de empreendedor" (La fabrique de la cité, 2017).

Bela sessão de astrologia gestionário-geracional! Procuremos, no entanto, compreender a que conduz concretamente esta análise e, em pano de fundo, o que comunica sobre a situação do trabalho dos jovens.

A análise em termos de "geração" enfatiza a eterna questão da suposta evolução da conduta da juventude, mas esconde, de facto, simultânea e sistematicamente, o problema essencial colocado pelas razões desta mudança.

Insistir sobre uma geração "Y" individualista e insubmissa à autoridade, colocando todos os jovens no "mesmo saco", é também esquecer a desigualdade dos jovens face ao emprego. Mais precisamente, todas as pesquisas sobre a geração "Y" na França e no mundo, resultando na grande maioria dos casos da literatura gestionária e comercial, geralmente tratam apenas de jovens das classes privilegiadas. Por exemplo, a caracterização de "nativos digitais" evoca uma geração que sempre cresceu no mundo da informática de consumo. Ora, basta observar as classes desfavorecidas de França e da América Latina - apenas para citar algumas - para lembrar que o facto de dispor de um terminal informático está longe de ser característico de uma geração inteira. Por outras palavras, com essa ideia de "Geração Y", que incluiria todas as crianças nascidas entre 1979 e 1994, é todo um segmento da juventude que se encontra, portanto, invisibilizado. Em França, por exemplo, como a socióloga Nathalie Moncel aponta, a geração "Y" não é nada mais do que "a encarnação ‘dessa nova juventude’ de diplomados das escolas de negócios e de engenharia, que representa apenas 6% dos jovens".

Tal como nos lembra o investigador Jean Pralong (2010), a literatura muito abundante sobre esse