Artigo incluído na revista Volume VIII :: No.1 :: Julho 2012

Pesquisa Empírica

Uma profissão «women friendly»? O que está em jogo na organização do trabalho de professoras francesas e espanholas

Julie Jarty1
(1) Université de Lausanne, Centre en Études Genre Bâtiment Anthropôle, Quartier UNIL Dorigny, 1015 Lausanne, Suisse
julie.jarty@unil.ch
Resumo

Este artigo visa dar visibilidade aos mecanismos de diferenciação sexuada no que diz respeito às práticas de organização do trabalho no seio de uma profissão em que o nível de stresse se revela particularmente elevado: o trabalho docente no(s) ciclo(s) de ensino destinado(s) a crianças com uma idade superior aos 11 anos. Neste âmbito, é estabelecida uma comparação entre França e Espanha, dois países cujas normas profissionais de ensino diferem entre si e convocam um compromisso singular no trabalho.

Apoiando-se nos resultados de uma pesquisa qualitativa, a autora atribui uma importância central aos discursos e representações que os indivíduos sustentam sobre as suas experiências profissionais.

A consideração dos diferentes contextos de trabalho (profissionais e extra-profissionais) permite avançar uma hipótese: embora não se traduza da mesma forma nos dois países, as estratégias espacio-temporais sexo-diferenciadas têm consequências do ponto de vista das experiências no plano da saúde, nomeadamente em termos de stresse. Todavia, a sensação de "sobrecarga", frequentemente identificada, permanece mal (re)conhecida, e até mesmo publicamente inconfessável, numa profissão considerada family friendly.

Palavras-chave trabalho docente, género; articulação trabalho/família, saúde, comparação França/Espanha..