Artigo incluído na revista Volume IV :: No.2 :: Dezembro 2008

Dossier Temático

Podem as inovações nas organizações “aprender” com as vivências quotidianas dos operadores?

Catarina Silva1 & Marianne Lacomblez2
(1) Faculdade de Motricidade Humana,
Universidade Técnica de Lisboa
Estrada da Costa, Cruz Quebrada
1495-688 Cruz Quebrada-Dafundo, Portugal
csilva@fmh.utl.pt
(2) Faculdade de Psicologia e de Ciências de Educação, Universidade do Porto
Rua do Dr. Manuel Pereira da Silva,
4200-392 Porto, Portugal
lacomb@fpce.up.pt
Resumo

Numa fábrica de rádios para automóveis analisámos os efeitos das inovações pós-fordistas nas vivências quotidianas de trabalho de três equipas de uma linha de montagem, laborando em horários consecutivos. Mercados instáveis e exigências elevadas incitavam a empresa a desenvolver uma forte racionalização do trabalho, sustentada em espaços de acção discricionários. Apresentamos algumas das inovações implementadas na empresa, em concreto, os sistemas de controlo de quantidade e de qualidade de produção, a flexibilização dos recursos humanos e a adopção de um planeamento da produção diferenciado. Tomando como referência estas inovações interpretamos as dinâmicas da actividade de trabalho das operadoras, necessárias à gestão da produção e discutimos o papel das competências individuais e colectivas quer na gestão quotidiana da actividade de trabalho quer em cenários considerados críticos. Insistimos na necessidade de repensar o sentido que é dado às inovações esquecendo as práticas quotidianas de trabalho.

Palavras-chave pós-fordismo, gestão da produção, trabalho colectivo, mobilidade de recursos humanos, erro humano.