Artigo incluído na revista Volume IV :: No.2 :: Dezembro 2008

Importa-se De Repetir...?

Medir o impacto do trabalho sobre a saúde: estudos longitudinais, sim, mas quais?

Thomas Coutrot1 & Loup Wolff2
(1) Direction de l’Animation de la Recherche,
des Etudes et des Statistiques (DARES)
39-43, quai André Citroën — 75015, Paris
thomas.coutrot@dares.travail.gouv.fr
(2) Direction de l’Animation de la Recherche,
des Etudes et des Statistiques (DARES)
39-43, quai André Citroën — 75015, Paris
loup.wolff@dares.travail.gouv.fr
Resumo

Este artigo visa realizar uma comparação sistemática das performances dos modelos epidemiológicos ditos “naïfs”, explicando a prevalência das perturbações de saúde através das únicas características actuais do trabalho dos assalariados, com modelos mais rigorosos no plano teórico, incluindo um histórico de certas exposições profissionais anteriores (modelos estatísticos retrospectivos), ou estudando a incidência (em lugar da prevalência) das perturbações em função, seja da exposição à data inicial (modelos longitudinais standard), seja da evolução da exposição (modelos dinâmicos). Mostra-se num primeiro momento quanto o impacto da consideração de factores individuais de confusão — o consumo de álcool e de tabaco, os modos de vida as pessoas ou o seu historial médico — é fraco: as correlações entre a saúde e as condições actuais de trabalho evidenciadas pelos modelos naïfs permanecem inalteradas. Isso não significa, certamente, que esses factores não tenham efeitos na saúde das pessoas — pelo contrário, a análise mostra os efeitos importantes de alguns desses factores — mas os efeitos dos factores profissionais e dos factores pessoais agem de maneira largamente independente. De seguida serão examinados os méritos respectivos dos modelos standard e dinâmicos: os primeiros explicando a incidência de uma perturbação de saúde entre duas datas pela exposição à data inicial, os segundos usando como variáveis explicativas a evolução da exposição entre as duas datas. No que respeita às (infra)patologias ligadas ao stress, os modelos standard aparentam ser menos performantes, na medida em que subestimam claramente o impacto das exposições sobre as perturbações de saúde. A explicação está provavelmente relacionada com a maior reversibilidade das perturbações em caso de desaparecimento da exposição, fenómeno que o modelo standard confunde com uma correlação negativa entre a exposição e a perturbação.

Palavras-chave modelos estatísticos em epidemiologia, saúde e trabalho, dados estatísticos, impacto dos factores individuais de confusão.