Artigo incluído na revista Volume IV :: No.1 :: Julho 2008

Revisão Temática

A influência do traçado de mobilidade na noção de território e nas oportunidades de desenvolvimento local

Liliana Cunha1 & Marianne Lacomblez2
(1) Centro de Psicologia da Universidade do Porto (CPUP), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
Rua do Dr. Manuel Pereira da Silva,
4200-392 Porto, Portugal
lcunha@fpce.up.pt
(2) Centro de Psicologia da Universidade do Porto (CPUP), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
Rua do Dr. Manuel Pereira da Silva,
4200-392 Porto, Portugal
lacomb@fpce.up.pt
Resumo

A mobilidade é frequentemente abordada como vector do desenvolvimento económico e como dimensão estruturante de inserção social. Menos visibilidade tem sido, aparentemente, atribuída à discussão dos projectos de mobilidade por transporte público; dos critérios em que se fundamentam; e do que preconizam em termos de desenvolvimento local. A interrogação desta articulação constitui o nosso fio condutor, considerando igualmente a intencionalidade dos que participam na concepção das redes de transporte; a perspectiva dos que prestam o serviço; e as especificidades territoriais. Na esteira de dois exemplos concretos, reportados a duas realidades distintas – em Portugal, num contexto rural, e em Moçambique, num contexto urbano – é possível observar como a concentração de actividades, sobretudo económicas, constitui um factor determinante das dinâmicas de mobilidade construídas. A reflexão toma lugar nas assimetrias territoriais potenciadas pelos projectos de desenvolvimento centralizados e na necessidade de uma outra abordagem da mobilidade, para a qual este artigo esboça alguns contributos.

Palavras-chave mobilidade, transportes rodoviários, desenvolvimento, território, pólos geradores de mobilidade.